Publicado por: geama | 26/11/2010

AMAR: verbo intransitivo ou transitivo?

Me peguei outro dia pensando a respeito do verbo amar. Pessoalmente, nunca fui muito adepto do uso do termo “amar”, por simbolizar algo muito grande e ao mesmo tempo desconhecido por mim. Quando eu comecei a namorar, ainda jovem, dizia para ela que eu não queria gastar a frase “eu te amo” e por isso não a usava a toda hora, guardando-a para momentos em que eu estivesse realmente consciente do que eu estava sentindo. Até hoje eu procuro fazer o mesmo. Quando escrevo uma carta ou um email para um amigo, antes de assinar o meu nome, busco dentro de mim o sentimento que tenho pela pessoa e, se ele é bastante forte e sólido, deixo o lembrete “eu te amo” gravado no papel.

O que ocorre é que nos faltam palavras para exprimir a gama de sentimentos que nós podemos expressar. O termo “amor”, por exemplo,  alcança o divino quando utilizado para representar uma devoção e torna-se aspecto vicioso quando próximo à paixão possessiva entre homem e mulher. Por isso, a palavra amor, segundo meu entendimento, deve ser usada com tanta cautela, para que busque sempre apresentar-se de forma limpa e especial, como virtude do homem de bem.

Quando dizemos “Eu amo”, fatalmente somos levados aos seguintes questionamentos: quem? o quê? O verbo amar nos parece sempre exigir um objeto, ou seja, algo que receba esse amor, geralmente uma pessoa ou animal, ainda que grande parte dos seres humanos relacione amor com objetos, como carro, casa, celular, bicho de pelúcia, etc. Quantas não são as vezes que nos expressamos com amor (completude) ou ódio (recusa total) quando nos dirigimos a alguém para expressar nossa relação para com um objeto real ou virtual? Eu odeio facebook! Eu detesto novela. Eu amo minhas fotos. Eu amo filmes da Disney. Diariamente nós somos obrigados a optar por amar ou detestar, pois nessa polaridade fomos educados e acostumados a viver, chegando ao ponto de utilizarmos os termos em questão sem nem mesmo saber seus significados para nós mesmos.

Recentemente tive contato com o filme “Madre Teresa” do diretor Fabrizio Costa. Uma obra impecável, um filme que a cada segundo se supera. Não há uma cena secundária, uma cena menos importante, ao contrário, o filme inteiro é material de pura reflexão. Mas o filme não seria o que é se não fosse pela sua matéria-prima: a própria Madre Teresa. Devotada a Deus e auto-determinada a ajudar todos os que sofrem, ela era detentora de um sentimento de amor puro e sublime. A atriz que a representa consegue expressar muito bem esse amor sincero sempre que olha as outras personagens do longa-metragem. Não é muito diferente do que pudemos assistir no cinema com o filme “Chico Xavier”, que nos mostrou de forma excepcional a humildade e o amor desse brasileiro.

Temos aqui somente dois exemplos de pessoas que amavam. Quem? O quê? Não, esqueçam os objetos diretos. Eles amavam. Eles viveram sob o amparo dos bons Espíritos e expressaram em suas vidas aquilo que o Mestre Jesus chamava de “a vontade do Pai”. Não pensavam em si mesmos e a todo momento eram colocados sob situações complicadas, as quais eram sempre superadas com brandura, paciência e resignação. Chico Xavier e Madre Teresa amavam sem condições, sem saber quem e sem receberem retribuição.

Amor, para mim, continua a ser um verbo transitivo direto, mas não vou descançar enquanto não o transformar em verbo intransitivo. Agradecidos a Deus, que nos envia esses Espíritos bondosos de forma a servirem de incentivo, vamos vencendo as provas e expiações na certeza do mundo de regeneração que já se instala na Terra.

Deixo o meu carinho aos leitores do Blog.

André Luís Corrêa
Equipe do Blog


Responses

  1. Amigo.. lindas palavras…

    Muito bom esse blog viu…

    Abraço Grande!

    “TE AMO!”


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