Publicado por: geama | 03/07/2010

Mãos na Obra: Um grupo

Olá, amigos e leitores do Blog do GEAMA. Estamos de volta com mais um post da coluna Mãos na Obra e hoje eu vou dividir com vocês um “causo”.

Há alguns dias recebi a ligação de uma amiga querida que trabalha em um Centro Espírita no setor de evangelização com muito gosto e realização. Ela então me contou o dilema que estava vivendo em meio ao projeto que ela mesma desenvolve com os outros evangelizadores, convidando todos ao estudo aberto e pormenorizado da Pedagogia Espírita. Qualquer pessoa que já trabalhou como evangelizador em um C.E. sabe as verdadeiras excentricidades e equívocos que são propostos pelos trabalhadores. Isso não é exlcusivo dos trabalhadores de evangelização, mas é um vírus do estudo superficial que assola os espíritas como um todo.

Pois, no intuito de capacitar e melhorar a evangelização infantil, essa minha amiga propôs um estudo semanal com todos os evangelizadores, o que, de pronto, foi aprovado pela coordenação. Seria maravilhoso se tudo dentro de um Centro Espírita ocorresse sempre com comprometimento, vontade e amor, mas nós também sabemos que não é assim que as coisas são.

Minha amiga sentia-se triste e desmotivada, pois, apesar de seus esforços, via em seus colegas evangelizadores um descaso, um negativismo e uma má-vontade incompatíveis com a postura de um Educador Espírita. Conversei com ela, buscando acalmá-la e lhe transmitindo força de vontade para que não desistisse desse projeto incrível e inédito.

Imaginem só, meus caros amigos, uma jovem de 23 anos chegando para um grupo de mais de 10 evangelizadores, em sua maioria com mais de 40 anos, alguns com diplomas de pedagogia, licenciatura, psicologia e propondo um engajamento maior, um comprometimento excelente com a proposta de EDUCAR ESPÍRITOS ENCARNADOS. Seria, a meu ver, um fato ver essa idéia seguir em frente sem sofrer qualquer dano, mas não é isso que ocorre. E qual o motivo? Como isso pode acontecer dentro de um Centro Espírita? Por que um grupo de evangelizadores não aproveita esta oportunidade de estudar a Pedagogia de Comenius, Pestalozzi, Rivail, Rousseau, Sócrates, Eurípedes Barsanulfo, Paulo Freire, Montessori, e tantos outros brilhantes educadores que estiveram presentes na superfície deste planeta?

Vou enumerar dois pontos apenas, os quais percebi serem grande foco de desentendimentos entre os trabalhadores espíritas e que têm tudo a ver com esse caso. 1) Um grupo de trabalhadores do Cristo não é uma empresa, logo, se não houver amizade sincera e comunhão de sentimentos, não há como levar o trabalho adiante. 2) Enquanto ofertarmos aos outros o que nos sobra não estaremos dividindo o que nos falta, conforme nos ensinou o Mestre na parábola do Óbulo da Viúva.

Quando o GEAMA tinha cerca de 2 anos, diversas pessoas se dirigiam a mim, pois só havia dois coordenadores naquela época, querendo saber como que era possível unir um grupo de 20 jovens que se dedicavam de corpo e alma às propostas artísticas dentro do Espiritismo. Eu sempre respondia: “não nos encontramos somente uma vez por semana para trabalhar no CE e depois voltar para casa. Somos amigos, trocamos dificuldades, pedimos ajuda uns aos outros, nos falamos semanalmente, organizamos festas-surpresa e sempre saímos juntos, para assistir a um filme no cinema, ou na casa de algum de nós, ou para comer uma pizza, etc. Fazemos confraternizações durante o ano inteiro. Não somos colegas de trabalho, somos irmãos e nos chamamos de irmãos. Temos intimidade, temos troca, somos como um organismo vivo de amor e dedicação.”

Com certeza há outras formas de se unir um grupo, mas eu só posso falar daquilo que sei e o que eu sei é que essa proposta deu e dá certo no GEAMA. Até hoje, com 6 anos, mantemos os laços da amizade sincera e é nisso que está a base do grupo. E para não dizer que tiramos isso da nossa cabeça, devo lembrar o que Allan Kardec nos diz em O Livro dos Médiuns, cap XXIX, XXX e XXI: Sem comunhão de sentimentos, não há como atrair os bons Espíritos para as reuniões. Não cabe em um grupo que se diz ESPÍRITA brigas, fofocas, complôs, panelas, boicotes, má-vontade, e toda essa gama de sentimentos equivocados. Se todos em um grupo buscarem esse espírito de fraternidade de coração, independente do número de pessoas no grupo, não há obstáculo que não seja superado nos anos futuros do serviço. Mas aí nós entramos no outro problema.

Para que haja fraternidade em um grupo, no caso, de evangelizadores, há necessidade de que todos queiram isso. Mas estamos no meio do Rio de Janeiro, com uma vida corrida, muita falta de tempo. Quem é que tem tempo para encontros, emails, confraternizações e, principalmente, quem é que deseja ficar uma horinha e meia a mais dentro do Centro Espírita num domingo só para estudar Pedagogia? Não temos tempo para isso, não é mesmo? O tempo que eu devo dedicar ao serviço cristão é o tempo que me sobra sem que nenhuma das minhas tarefas sejam atrapalhadas. Se eu precisar de mais algum horário ao longo da semana, qual compromisso eu devo desmarcar? Seria uma reunião de trabalho? Seria uma aula na faculdade? Seria um happy hour? Não! De forma alguma. Com certeza eu faltarei ao serviço com o qual me comprometi no Centro Espírita, pois é algo voluntário e que não atrapalharia meu rendimento salarial mensal. Não é esse o pensamento que a maioria de nós desenvolve? Não é isso que aprendemos? Não. O óbulo da viúva não era uma forma de Jesus falar do dinheiro apenas. Ele fala do que é mais valioso para cada um. Se para nós, que vivemos na metrópole, o tempo é algo caro, é ele mesmo que vai ser safrificado (sacro-ofício) como a viúva, que deu mais do que poderia dar.

Isso é um fato que sempre esteve presente nestes 6 anos de GEAMA. Desenvolver uma peça teatral é um projeto grande e que leva semanas. Pensar no tema, estudar, estudar, estudar, propor um esqueleto inicial, montar uma equipe de roteiro, escrever o roteiro, iniciar os ensaios, ensaiar, ensaiar, ensaiar, ensaiar e apresentar, depois avaliar. Quantos encontros de 1h30 semanais seriam gastos para montar uma única peça? Quase o ano inteiro, já que cada um tem 52 semanas. Não dá. São feitos encontros aos sábados, domingos, ao longo da semana pela noite, virtuais (skype) etc. Mas nem todos acham que isso é necessário, pois têm outras coisas na vida para fazer. “Buscai primeiro as coisas do Espírito e tudo o mais lhe será dado por acréscimo de misericórdia”, disse o Mestre. Nosso foco e dedicação têm sido nosso dinheiro, nosso interesse, nosso campo profissional há mais de 2010 anos e ainda nos pergutamos o porquê de estarmos num planeta de provas e expiações. Não seria diferente para pessoas que são ego-ístas como nós.

Minha amiga provavelmente irá ler este post e muitos outros se identificarão com essa história. Amigos, ao menos uma vez permitamos doar um além, um algo a mais, sejamos menos egoístas, doemos o nosso precioso tempo a quem nos pede de coração para o nosso próprio aproveitamento, ao invés de o fornecermos gratuitamente àqueles que nem sabem que existimos, como a televisão. Viver o Cristianismo todos os dias, ser verdadeiramente espírita não são palavras, são necessidades para almas doentes como nós. Precisamos querer isso. Os tempos são chegados, o mundo de Regeneração chegou e somente aos que forem fiéis servidores o Cristo confiará os serviços de maior responsabilidade. SER CRISTÃO: UMA QUESTÃO DE VIVÊNCIA!

Peço a licença a vocês, caros leitores, para terminar este post com o vídeo da gravação da nossa peça SERES PÍRITAS, apresentada na COMEERJ de 2010, que tem tudo a ver com esse assunto.

Erro
Este vídeo não existe

André Luís
Equipe do Blog


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