Publicado por: geama | 16/10/2009

Mãos na Obra: Liderança

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Caros amigos leitores do Blog do GEAMA, nosso post de hoje trará uma questão bem crucial e que muito interfere no andamento do trabalho de um grupo de arte. Vamos falar sobre a gestão, a coordenação, o gerenciamento, enfim, a estrutura pessoal do Grupo.

É comum encontrarmos no meio espírita os coordenadores e diretores vitalícios. São pessoas que por diversos fatores, como comprometimento, respeito, sabedoria, experiência, acabam se encaixando na coordenação de um trabalho. Às vezes essas pessoas são nomeadas ao cargo, outras tomam para si essa responsabilidade para não deixar o trabalho desmoronar. Essas são atitudes louváveis e é natural que sempre haja uma liderança que una e incentive o grupo ao trabalho.

Entretanto, muitos de nossos irmãos espíritas, por estarem acostumados com a organização das empresas, se esquecem de deixar o cargo que ocupam. É comum ouvirmos dentro de nós o seguinte argumento: “Quando eu pergunto quem quer fazer uma coisa, coordenar uma frente, levar adiante um projeto, ninguém nunca quer, então eu vou ficar aqui na coordenação porque ninguém quer”. Esse pensamento nos envolve de tal forma que a idéia que acabamos por ter é de que somos imprescindíveis ao trabalho. Repetimos inúmeras vezes em estudos, seminários e palestras o velho ensinamento de “aquele que quiser ser o primeiro, seja o último…”, mas raros são os que compreendem verdadeiramente essas palavras do Cristo.

Para podermos refletir sobre esse assunto, vamos analisar alguns casos. Vamos começar com Moisés. Esse profeta tomou para si a incumbência de libertar o povo hebreu do Egito e assumiu esse compromisso como ninguém. Seu irmão Aarão foi o primeiro sumo-sacerdote e depois dele, somente os que descendiam da família de Aarão poderiam ser sacerdotes. Claramente isso gerou cargos predestinados e vitalícios. Caso um sacerdote fosse um pouco mais radical ou possuísse interesses egoístas, ainda assim ele seria sacerdote até o final da vida. Da mesma forma, uma pessoa que não fosse da família sabia que nunca chegaria a ser um sacerdote, ou seja, nunca poderia falar diretamente com Deus, nunca seria um instrumento de Deus para os homens. Isso gera algumas complicações…

Por outro lado, Jesus, o grande e único Mestre, não foi egoísta (nem poderia). Ele pegou 12 homens comuns e transformou-os em apóstolos Verdadeiros. O mais fantástico é que Jesus fez isso em apenas três anos. Ele não ficou encarnado até os sessenta anos para poder coordenar o trabalho dos 12 apóstolos. Ele sabia que eles ainda errariam e pecariam (tropeçariam), mas entendia isso como uma coisa natural. Jesus deu rumo para eles e deixou-os caminhar com seus próprios pés. Ele sabia que Deus os ampararia se eles seguissem seus ensinamentos. Jesus cumpriu sua missão e largou o corpo, voltando à pátria espiritual.

Se você está organizando um trabalho, se está no papel de líder, seja pelo motivo que for, é sempre bom lembrar que o líder tem de andar lado-a-lado com a humildade, o respeito e o amor para com os seus companheiros de trabalho. Seu papel será o de ajudar e promover o espírito de liderança entre os outros, para que, mais tarde, você seja substituído em seu cargo, dando oportunidade a outro membro da equipe de coordenar o trabalho. Incentivar o espírito de liderança não é uma tarefa fácil, nem tampouco rápida. Você terá de estreitar laços de amizade, promover estudos e trabalhos conjuntos, delegar funções e confiar que as pessoas farão diferente de você, terá de aceitar a maravilhosa verdade de que não existe um único espírito no Universo igual a você. Enfim, sua paciência e tolerância serão testadas constantemente, além da sua capacidade de amar os inimigos, ser verdadeiramente cristão e trabalhar sem cessar nem reclamar.

Provavelmente, se você centralizar todo o trabalho nas suas mãos e não quiser mais largar a coordenação do trabalho, dificilmente ele irá caminhar progressivamente, pois novas pessoas virão e terão novos pontos de vista, os quais você nunca sequer imaginou existirem, e você provavelmente não os aprovará, então essas pessoas irão se afastar e o trabalho progredirá somente quando você quiser, como você quiser e se você quiser. Isso é muito arriscado. O processo natural das coisas no Universo é um ponto suceder outro e assim até o infinito. Mais cedo ou mais tarde você não terá mais como sustentar o trabalho sozinho e ele acabará ou você será convidado pelo grupo a se retirar do “cargo” para não atrapalhar o progresso. A Lei do Progresso é Divina e tudo o que for contra ela é simplesmente transposto (Livro dos Espíritos, perguntas 781, 781a e 782).

Segundo o Espírito Cícero Pereira, no livro Unidos Pelo Amor (psicografia de Wanderley de Oliveira), “existem diretorias com ‘excelsa’ habilidade para enxergar problemas onde não existem e ver êxito onde se aninham astutas ‘serpentes morais’. Ajuízam com extrema facilidade sobre percalços e falhas, sendo impotentes para apresentarem soluções e tentativas.”. É muito comum que um líder acabe resvalando nesse buraco do egocentrismo, por isso é sempre importante uma liderança ser composta de mais de uma pessoa, pois assim fica mais difícil que o grupo inteiro esteja equivocado. Dou o exemplo aqui do GEAMA, que é formado por mais de 30 membros, onde 9 compõem a equipe do colegiado, que coordena e planeja os trabalhos anualmente. Esse formato de trabalho facilita por demais a divisão de tarefas, o apoio em diversas frentes e a manutenção de diversos projetos ao mesmo tempo (já que cada um fica responsável por coordenar um projeto).

É sempre importante lembrar que os membros de um grupo gostam de ser ouvidos em reuniões, logo o líder precisa sempre ouvir mais do que falar. Acreditamos que somos os donos da Verdade, mas geralmente os mais calados são muito mais sábios, pois conseguem ouvir a todos e tirar suas conclusões dentro de sua mente, ao passo que os faladores nem pensam, apenas fazem barulho. Gandhi nos deixou uma grande lição quando disse que nasceu para o silêncio. Quando fazemos silêncio podemos ouvir nitidamente a voz de Deus soar dentro de nosso Espírito.

Cícero Pereira vai mais além, quando diz: “Só governa com acerto quem é capaz de esquecer o bem que semeou”. É muito louvável ficarmos felizes quando lideramos um grupo de sucesso ao longo dos anos, mas quando alguma coisa dá errado, somos os primeiros a dizer “Olhe o meu trabalho! Veja o que eu já construí!”. Nada disso é relevante. Devemos sempre lembrar das sábias palavras de Jesus: “Eu nada posso sem o Pai”. Seria muita pretenção achar que o que fizemos, fomos nós que fizemos. Ser líder é ser servo do Cristo e, quando fazemos algo de bom, não somos nós que fazemos, mas Deus. Somos meros instrumentos da Bondade e é nosso dever servir dessa forma.

Não é tarefa simples estar à frente de um grupo, mas é uma bela oportunidade de fazer despertar em outros Espíritos encarnados e desencarnados a vontade de buscar Deus dentro de si mesmos, largando mão das súplicas perecíveis do mundo material e direcionando todas as suas energias para alcançar a felicidade com o Cristo. Só depende de nós.

André Luís – Equipe do Blog


Responses

  1. muito bom André!
    é realmente muito dificil estar a frente das coisas, pq quando estamos a frente nao podemos achar que estamos realmente na frente…


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