Publicado por: geama | 07/08/2009

Mãos na Obra: Quando?

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Só pode ser brincadeira. Como assim, “quando”? Pois é, meus amigos visitantes do Blog do GEAMA, estou trazendo aqui a pergunta que alguns esquecem. Quando é o momento certo para começar, criar ou fundar um trabalho de Arte com jovens no Centro Espírita?

Não é raro ver em Casas Espíritas os nossos queridos violeiros, os bardos modernos, cancioneiros incansáveis carregando seus instrumentos de corda, tocando músicas Espíritas ou não, inseridos principalmente entre os jovens. A simples presença de um violeiro gera uma incrível e fascinante substância grudenta que faz com que muitos jovens gostem de frequentar mocidades e juventudes, puramente para ouvir as belas canções compostas pelos nossos irmãos. Alguns jovens chegam até a passar do estado de ouvinte para o estado de cancioneiro, o que revela ainda mais o poder dessa coisa chamada ARTE.

Infelizmente não contamos ainda com uma bibliografia vasta sobre Arte dentro da gama de livros Espíritas que abarrotam as prateleiras de muitas livrarias pelo mundo inteiro. Eu aprecio muito o livro Espiritismo na Arte de Léon Denis e quando o li pela primeira vez me deparei com uma informação muito séria e profundamente importante, que o Esteta (Espírito que transmite as lições ao grupo de estudo de Léon Denis) chama de HARMONIA.

Existe uma harmonia que vibra em todo o Universo, ou seja, em toda a criação. Os homens, segundo o Esteta, são capazes de se envolver com essa harmonia, esses fluidos, essa emissão de beleza que provém da Fonte Única, Deus. Não são todos os homens, nem todos os Espíritos, que possuem a facilidade de se sintonizarem com a beleza suprema, mas tal feito exige apenas a educação de nossas faculdades mentais e a elevação vibratória de nosso Eu.

Quando um Espírito se envolve com essa Harmonia, pode ocorrer a criação de uma bela obra de arte, seja musical, literária, gráfica, visual, escultural, teatral, etc. Espíritos como Mozart e Bach, por exemplo, por suas capacidades estéticas e artísticas, se enebriavam por longos momentos nesse mar do Belo. O mais interessante é que não é necessário ser um Leonardo da Vinci para ouvir a música que nos chega das esferas superiores. Basta que nós afinemos o nosso canal receptor. Tenho certeza de que a simples palavra ÊXTASE* deve trazer à mente uma ou duas recordações a muitos leitores. Quem nunca experimentou o estado de êxtase em um momento de criação, de relacionamento com a beleza, com uma paisagem maravilhosa, com uma cena de dança ou com um simples gesto de abraço de uma criança?

A Arte tem esse poder. Ela nos leva ao êxtase. Ela nos eleva, ela nos envolve e abre nosso coração, fazendo com que nós ouçamos o canto dos Espíritos puros. O que dizer da música, então? A música é a expressão artística que mais facilmente toca a todo e qualquer Espírito, encarnado e desencarnado. A música invade e transforma ambientes. Os sons gerados por vozes e instrumentos afinados criam vibrações no ar, que nada mais são do que o próprio Fluido Cósmico enchendo um ambiente. Até mesmo um surdo  poderia notar a diferença entre uma sala harmonizada e outra desarmonizada, sem nem mesmo ouvir os sons.

Aí você, leitor, se pergunta o porquê de eu estar falando tudo isso. O fato é que a resposta para essa pergunta que entitula este tópico é, infelizmente, relativa. E quando alguém usa a resposta “Bem, isso é relativo”, em geral significa, “Bem, eu não sei explicar”. Mas não é dessa relatividade que eu estou tratando.

O momento propício para se iniciar um trabalho de Arte com jovens na Casa Espírita guarda íntima relação com a vontade de se harmonizar. Não importa se você vai começar com três pessoas ou duas, nem se elas sabem tocar violão, atuar, pintar ou dançar. Ter alguém que trabalhe com arte no grupo apenas facilita, mas não é imprescindível. Busque a forma de expressão artística que mais lhe agrade ou com a qual o grupo esteja mais familiarizado. Não se apresse em querer criar uma peça ou compor uma canção. É sempre mais importante estar sintonizado, e se esse processo levar meses, aproveite e curta bastante esse estudo, essa vivência. Peça sempre o amparo do Cristo e de seus emissários, requisitando a presença de um Espírito ligado à Arte, e tenha certeza de que isso será concedido se o intuito do grupo for buscar essa harmonização.

O amadurecimento chegará com o tempo. Muitas discussões aparecerão no meio do caminho, trazendo à tona a célebre pergunta: “Toda arte é boa? Arte tem relação com gosto pessoal? Beleza é algo relativo?”. Estudando em grupo, essas respostas chegarão, mas para cada Espírito essa resposta vem de uma forma e é compreendida de uma maneira, assim como a compreensão integral da Verdade é relativa à elevação de cada um.

Lembrando as palavras do nosso irmão Bezerra de Menezes no livro Atitude de Amor: “O trabalho é urgente, não apressado”.

Conquiste cada passo com muito cuidado e muita fé e dedicação. Todo trabalho do Cristo é amparado por ele, então combata a vaidade (grande obstáculo dos artistas) e busque a beleza do Pai e tudo mais lhe será enviado por acréscimo de misericórdia. Não comece com planos muito rígidos, nem gaste muita energia vislumbrando o futuro do seu grupo de Arte. Se formos abertos à orientação e inspiração dos Espíritos, poderemos ver que, aquilo que pensávamos traçar como meta antes, se transforma em poeira. Não são os NOSSOS planos que prevalecem, mas a VONTADE DO PAI QUE ESTÁ NO CÉU.

Deixe seu comentário, conte-nos a sua experiência e se quiser trocar umas figurinhas, mande um email.

Abraços e até o próximo Mãos na Obra.

André Luís

*êxtase: arrebatamento do espírito; enlevo; contemplação do que é divino, sobrenatural, maravilhoso. (fonte: Priberam)


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